terça-feira, outubro 30, 2007
Do Daniel
(referia-se à porta do elevador e o botão é o de abrir)
Porque achei que assenta que nem uma luva...
"O nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à
quantidade de "foda-se!" que ela diz.
Existe algo mais libertário do que o conceito do "foda-se!"?
O "foda-se!" aumenta a minha auto-estima, torna-me uma
pessoa melhor.
Reorganiza as coisas. Liberta-me.
"Não quer sair comigo?! - então, foda-se!"
"Vai querer mesmo decidir essa merda sozinho(a)?! - então,
foda-se!"
O direito ao "foda-se!" deveria estar assegurado na Constituição.
Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos
extremamente válidos e criativos para dotar o nosso vocabulário
de expressões que traduzem com a maior fidelidade os nossos
mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo a fazer a sua
língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que
vingará plenamente um dia.
"Comó caralho", por exemplo. Que expressão traduz melhor a
ideia de muita quantidade que "comó caralho"?
"Comó caralho" tende para o infinito, é quase uma expressão
matemática.
A Via Láctea tem estrelas comó caralho!
O Sol está quente comó caralho!
O universo é antigo comó caralho!
Eu gosto do meu clube comó caralho!
O gajo é parvo comó caralho!
Entendes?
No género do "comó caralho", mas, no caso, expressando a
mais absoluta negação, está o famoso "nem que te fodas!".
Nem o "Não, não e não!" e tão pouco o nada eficaz e já sem
nenhuma credibilidade "Não, nem pensar!" o substituem.
O "nem que te fodas!" é irretorquível e liquida o assunto.
Liberta-te, com a consciência tranquila, para outras actividades
de maior interesse na tua vida.
Aquele filho pintelho de 17 anos atormenta-te pedindo o carro
para ir surfar na praia? Não percas tempo nem paciência.
Solta logo um definitivo:
"Huguinho, presta atenção, filho querido, nem que te fodas!".
O impertinente aprende logo a lição e vai para o Centro
Comercial encontrar-se com os amigos, sem qualquer problema,
e tu fechas os olhos e voltas a curtir o CD (...)
Há outros palavrões igualmente clássicos.
Pense na sonoridade de um "Puta que pariu!", ou o seu
correlativo "Pu-ta-que-o-pa-riu!", falado assim, cadenciadamente,
sílaba por sílaba.
Diante de uma notícia irritante, qualquer "puta-que-o-pariu!", dito
assim, põe-te outra vez nos eixos.
Os teus neurónios têm o devido tempo e clima para se
reorganizarem e encontrarem a atitude que te permitirá dar um
merecido troco ou livrares-te de maiores dores de cabeça.
E o que dizer do nosso famoso "vai levar no cu!"? E a sua
maravilhosa e reforçadora derivação "vai levar no olho do cu!"?
Já imaginaste o bem que alguém faz a si próprio e aos seus
quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de
seu interlocutor e solta:
"Chega! Vai levar no olho do cu!"?
Pronto, tu retomaste as rédeas da tua vida, a tua auto-estima.
Desabotoas a camisa e sais à rua, vento batendo na face, olhar
firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado
amor-íntimo nos lábios.
E seria tremendamente injusto não registar aqui a expressão de
maior poder de definição do Português Vulgar: "Fodeu-se!". E a
sua derivação, mais avassaladora ainda: "Já se fodeu!".
Conheces definição mais exacta, pungente e arrasadora para
uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de
ameaçadora complicação?
Expressão, inclusivé, que uma vez proferida insere o seu autor
num providencial contexto interior de alerta e auto-defesa. Algo
assim como quando estás a sem documentos do carro, sem
carta de condução e ouves uma sirene de polícia atrás de ti a
mandar-te parar. O que dizes? "Já me fodi!"
Ou quando te apercebes que és de um país em que quase nada
funciona, o desemprego não baixa, os impostos são altos, a
saúde, a educação e … a justiça são de baixa qualidade, os
empresários são de pouca qualidade e procuram o lucro fácil e
em pouco tempo, as reformas têm que baixar, o tempo para a
desejada reforma tem que aumentar … tu pensas “Já me fodi!”
Então:
Liberdade,
Igualdade,
Fraternidade
e
foda-se!!!
Mas não desespere:
Este país … ainda vai ser “um país do caralho!”
Atente no que lhe digo!"
sexta-feira, outubro 26, 2007
Do David
alivia-o com um ben-u-rom e vamos ao médico ao fim do dia;
chega ao consultório aos pulos, todo bem disposto e sorridente;
nada de otite, ouvido limpinho, apenas uma leve amigdalite!
Será que o míudo tem os sensores trocados?
O mais novo
Em muitas coisas eles são iguaizinhos; até que se decidam a ultrapassar uma etapa demoram, mas assim que a assumem, parece que já o fazem há meses...
Isto aplica-se ao andar, que tardaram a começar, mas passaram imediatamente para as corrida, às fraldas, que demoraram em largar mas quando o fizeram foi mesmo definitivamente e o falar!
Em especial o mais novo, que pouco dizia ainda há bem pouco tempo, agora faz frases completas, com os tempos verbais correctos e aplica as palavras certas nos momentos certos...
...e claro, não se cala nem um minuto...
sexta-feira, outubro 05, 2007
Parabéns Pipa
E mereces um post só para ti, pois estes pirralhitos adoram-te!
Muitas felicidades, e desejamos sinceramente que festejes muitos e muitos anos, sempre assim, tão linda por dentro como por fora.
Beijos grandes do teu afilhado legítimo, do afilhado adoptado da prima comadre e do compadre, claro.
( E eles já só falam em logo à noite, que vão cantar parabéns, e comer bolo, e etc, etc, etc)
Desabafos
E os meus gajos estão a demorar tanto a vir-me buscar.
sábado, setembro 22, 2007
Desfralde
E, contrariando todas as promessas feitas na minha adolescência, de que quando fosse mãe seria diferente, que nunca cometeria as injustiças dos meus pais, cá estou eu, a fazer exactamente o que sempre critiquei neles...porque será? (fica para outro post)
Bem, o certo é que o meu benjamim, já deixou as fraldas!
É verdade, o David anda a portar-se muito bem, e as fraldas só são usadas no infantário para a sesta.
Cá em casa é que ainda não está a 100%, mas a culpa é toda nossa, que lhe colocamos a fralda sempre que saímos.
O meu bebé está a crescer...
Parabéns David!
Do Daniel
Monólogo do Daniel, numa tentativa de diálogo com o pai:
- Pai?
- ...(nada)
- PAI???
- (nada)
- Pai, pai, P-A-I?????
- (nada, que ele é mesmo assim, consegue desligar-se aqui da terra e faz viagens sei lá para onde)
- Pai, por acaso estou a falar inglês?
Feng Shui
Especialmente quando, após uma visita da minha prima, que incluiu umas medições geográficas para um estudo da nossa casa, este chega-nos via e-mail de Barcelona com as devidas orientações, sugestão de alterações, etc.
O final de Agosto, porque ainda estávamos de férias, e porque o IKEA já tinha aberto por cá, foi o período escolhido para fazer algumas das alterações sugeridas: um bocado mais de peças em metal aqui, um bocado mais de cores quentes ali, um espelho acolá e até que o resultado final foi agradável, conseguimos conciliar as orientações com o nosso gosto pessoal.
Os resultados depressa surgiram: logo na semana seguinte a minha casa foi visitada 3 vezes, coisa que em 9 meses de tentativa de venda nunca tinha acontecido, um trabalho que estava por receber há bastante tempo foi liquidado também nessa semana, e o melhor ainda estava para chegar; na semana passada foi-me feito um convite pela administração da empresa onde trabalho para ocupar um cargo irrecusável!
Decididamente, vou aprofundar este tema, que além de fascinante, tem resultados comprovados.
segunda-feira, setembro 10, 2007
Eu já devia saber
...que o nosso passeio de comboio ia acabar assim...
Ainda em Agosto e para lhes satisfazer a curiosidade (a do David especialmente, que o Daniel já tinha experimentado) fomos dar um passeio de comboio; chegada à estação e depois de questionar o funcionário acerca dos bilhetes deles eis que começa o filme:
- Ah, as crianças só pagam a partir dos 4 anos, e ele ainda não tem pois não?
Instintivamente, pai e mãe respondem em coro Não!, e o atento petiz, que por acaso até estava todo divertido e distraído (achávamos nós) a carregar nos botões da máquina de venda de bilhetes automática, contesta prontamente, alto e a bom som:
- Ei, eu já tenho 4 anos!!!!
Valeu-nos a gargalhada do funcionário, que nos aliviou a vergonha e lá fomos nós, sem o bilhete do míudo encorajados pelo divertido senhor.Seguiu-se a habitual conversa, não fosse ele deixar-nos ficar mal perante o revisor, e combinámos que para que não mentisse, apenas teria que ficar caladinho;
Já dentro da carruagem, as gargalhadas nossas, e dos restantes passageiros, seguiam-se às saídas caricatas do Daniel, umas atrás das outras, entre as quais, olhando para o autocolante de prioridade a grávidas colado no devido local reservado :" mãe, as pessoas gordas não podem andar de comboio?", veio a melhor de todas, quando finalmente chegou o "pica" ele olha e pergunta-me bem alto: "mãe, é este o senhor com quem eu não posso falar?"
Felizmente a viagem estava a chegar ao fim, e secas as lágrimas da risota que foi, ficou a lição:
Não adianta ensinar valores aos nossos filhos se nós próprios não os pomos em prática. Fiquei mesmo envergonhada, não por não ter pago o bilhete de uma criança que ultrapassou o limite há pouco mais de 2 meses, mas por ter agido desta maneira em frente a ele, dando-lhe um exemplo que não quero que ele siga...

